“Dente, o presidente sou eu.”

29 03 2011

A memória do brasileiro é curtíssima. O rubro negro médio tem memória mais curta ainda. Alguns dos nossos torcedores devem refletir e lembrar que jogador algum é maior que o Fla. Nenhum. Nem o Zico.

Em 2009, uma conjugação de fatores fez com que o Flamengo conquistasse seu sexto título brasileiro. Tal qual o Fluminense em 2010, liderado pelo Conca, em 2009 o Fuderoso contava com a genialidade de Petkovic, que performava em seu último ano de carreira. Último ano, digo eu, dado que nunca mais conseguiu recuperar o ritmo demonstrado em 2009. Aliás, nada diferente do que ocorre com o Conca em 2011.

Adriano foi peça importante na conquista. O valor da sua contribuição não deve ser diminuído nunca. Entretanto, o protagonista daquela conquista, indubitavelmente, foi Petkovic.

O time de 2009 foi produto do amadorismo dos dirigentes rubro negros. Isso mesmo. Depois de uma arrancada para não cairmos em 2008, em 2009 a chegada do Adriano foi perfeita e destrutiva.

Perfeita, uma vez que o Adriano era o ídolo perdido, que aliás, tinha uma grande dívida moral com a torcida do Fla. Quando Adriano foi vendido para os italianos, pelas mãos do digníssimo Gilmar Rinaldi, era hostilizado constantemente pela Nação. Tornou-se o Imperador. A torcida, por sua vez, proclamou o retorno de quem não foi. A primeira passagem do Adriano na Gávea não foi marcada pelo futebol brilhante. Pelo contrário. Foi marcada pelas críticas a um jogador ainda jovem (vejo injustiça nisso) e o utilitarismo usual do mundo do futebol.

E por que foi destrutivo? Somente o C.R. Flamengo, com uma diretoria amadora como a de 2009, acertaria a vinda, ainda que vantajosa, do Adriano. Um jogador que não apresentava mais a performance de outrora no Inter de Milão. Um jogador que dava declarações desencontradas, chegando a cogitar deixar a carreira aos 27 anos. Um jogador que abandonou o trabalho. O componente de genialidade do Imperador preponderou. Ele era o ídolo perdido, aquele que nunca foi do Flamengo, que voltava para onde nunca tinha estado. Era o anti herói, que chegava para salvar a Nação.

O legado do Imperador do Flamengo é inegável. Deu à Nação, ao lado do Pet, um título brasileiro após 17 anos de jejum. Fez bem ao ego do rubro negro. Fez muito mal ao Adriano.

É na vitória que os heróis são conhecidos, assim como os vilões. Enquanto o Petkovic foi visto e considerado um ex jogador em atividade, colocado no museu da Gávea, o Adriano foi elevado a herói. Considerou-se o messias da Nação. A ele, os louros entregues. Considerou-se intocável. Aquele que tudo podia.

Em setembro de 2009, disse o seguinte: “Posso prolongar esse contrato e até nunca mais sair do Flamengo. Não adianta voltar para a Europa e novamente encontrar a infelicidade. Não penso em sair daqui ainda e recusei vários propostas”, quando perguntado sobre a renovação com o Fla em 2010 (fonte: Globoesporte.com – http://www.depositonaweb.com.br/7411/adriano-fala-em-nunca-mais-sair-do-flamengo/).

Entretanto, quando chegou a proposta da Roma, o discurso do amor eterno expirou. A Diretoria do Flamengo (agora, liderada por Patrícia Amorim), tentou acertar novo contrato com o atacante. Este e seu agente, Gilmar, sequer ouviram a proposta. Após o jogo com o Grêmio Prudente, Adriano informou que sequer voltaria a treinar, deixando de lado sua participação no Fla-Flu da semana seguinte.

Em suma: fechou as portas para a Diretoria do Flamengo e deu as costas à Nação. Sequer fez um jogo de despedida – ao menos aquele Fla-Flu. Adriano é rubro negro, sabe a importância desse e de outros clássicos.

De malas feitas para a Roma, deixou no Brasil o seu legado. Um título brasileiro e um conjunto de atitudes nada profissionais, que faziam com que o elenco acreditasse que tudo podia. Vide o caso do goleiro acusado de assassinato, cujo nome me recuso a mencionar.

Adriano, Pet e o Goleiro foram os heróis de 2009. Em 2010, Pet foi movido à categoria de relíquia. Já Adriano e o Goleiro mostraram as verdadeiras faces, dos vitoriosos vilões. O ego da Nação, antes elevado, estava reduzido a frangalhos, no pior momento que se tem notícia na trajetória do Fuderoso.

Agora, em 2011, a Diretoria do Fla devolve o orgulho ao torcedor, trazendo jogadores de ponta, tais como o Ronaldinho Gaúcho e o Thiago Neves, num esforço hercúleo. E o Adriano, aquele vilão de 2010, veste a máscara do herói injustiçado, querendo voltar.

“Dente, eu sou o presidente.”, foi a frase de Adriano para o Ronaldinho. Luxemburgo, em defesa da Nação, diz que a Patrícia é a presidente. Que o Adriano pensou que voltaria a ser o presidente. O dono do clube.

Não, Adriano. O Flamengo não te deu as costas. Você deu as costas ao Flamengo. Você abandonou o Fuderoso quando lhe foi oportuno. Você não disse até logo. Você arrastou o nome da nossa Nação na lama.

Assusta a atitude de alguns torcedores em enforcar o Luxa por não querer o Adriano. O Adriano no Flamengo significaria o fim de qualquer possibilidade de sucesso em 2011. Seria decretar o fim do trabalho sério. Eu quero Luxa, Ronaldinho, T. Neves, Léo Moura e David Braz. Eu não quero Adriano e sua turma.

Vanderley ajudou a reconstruir o respeito pela Nação. O R10, devolveu o orgulho. O Adriano nada tem a agregar. Nunca teve. Deu as costas à Nação duas vezes.

Acho até que o Adriano pode dar certo no Corinthians. Para o Flamengo, ele ir para lá já deu certo.

Precisamos de atacante. Com certeza. Não precisamos de Adriano. Somos muito maiores que ele.


Ações

Informação

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s




%d blogueiros gostam disto: